terça-feira, 24 de abril de 2012

Somos peregrinos ou turistas nesta vida?





O psicólogo Yves de La Taille fez esta pergunta para poder explicar sua tese sobre nossa vida moderna.
Peregrino ou Turista... Ambos são viajantes. O que os diferencia são seus objetivos de viajem.
Para o peregrino, a viagem é sua vida. Ele está em uma constante busca. Já para o turista, a viajem nada mais é que um passeio, um fragmento de sua vida que se somará a muitos outros.
E com esta breve sintaxe vamos estender esse raciocínio para que possamos responder a pergunta inicial.

FRAGMENTOS – ouvirás muito esta palavra no nosso desenrolar filosófico.

O nosso tele jornal de todos os dias, é feito de fragmentos.
Mal nos acostumamos com uma notícia e já nos informam outra com a mesma frieza que cortam seu bife.
O conhecimento é puro, a informação é fragmentada.

E a nossa vida cotidiana? Ela é uma seqüência de eventos ou o desenrolar do tempo?
Vivemos um eterno presente, um hedonismo pragmático.
Nosso ritmo de vida se desequilibrou.
Por exemplo, não conseguimos ficar sem olhar nosso celular/e-mail/ rede social/...
O que haveria de tão importante para não podermos ficar 12 horas sem acompanhar, dar notícias, ou postar algo?

Uma teoria que se aplicaria a este desenrolar é o “Conceito do Enxame” do grande sociólogo Bauman.
Nele, Bauman diz que um enxame é uma grande estrutura social, e o que importa, é o que está dentro do enxame (ou quem está dentro do enxame).
Se você não participar das movimentações, perderá seu lugar. E aí, aparece nosso medo da exclusão.
Os relacionamentos modernos podem entrar nesta teoria do enxame.
O ‘ficar’, e até mesmo os relacionamentos mais ‘sérios’.
As pessoas não avaliam mais ‘o todo’, elas percebem apenas os fragmentos.
Hoje em dia jamais seria possível existir uma história semelhante à de Romeu e Julieta.
Nosso amor não supera obstáculos. Para reinar, ele precisa que grande parte de seus fragmentos sejam belos e felizes.

-SOMOS TURISTAS!-

Viajamos, e esquecemos. Esquecer, hoje, talvez, seja mais importante do que aprender.
Vivemos de fragmentos associados. Uma seqüência de eventos. Absorvemos o que achamos necessário e descartamos os demais. Vemos as coisas acontecerem e passamos por elas como se não fizéssemos parte daquela realidade. Estamos sempre dispostos (mesmo que inconscientemente) a passar pelos fragmentos, esquecê-los, e correr atrás de outros.

E essa sociedade é Boa? Somos felizes? Fragmentados?
Sofremos de Tédio! (Tédio = Vida Vazia)
Um tédio existencial... Não vemos sentido nas coisas... No nosso caminhar.

Por isso buscamos ocupar nosso tempo. Essa nossa busca por inclusão, divertimento... Nada mais é do que Tédio!

O ócio, o saber fazer nada é uma arte! Tornou-se um desafio! É muito complicado...

Um dos maiores males de nosso tempo é a depressão, que nada mais é que um sinal de vazio, quando falta o ‘sentido’ da viagem.

Um dos maiores erros de nossas instituições de ensino é ensinarem a resposta, sem discutirem a pergunta.

E o conhecimento não faz sentido sem a dúvida inicial.

Uma solução? Olhe para dentro de si, encontre seu equilíbrio, e saberás a resposta.
Busque ser um peregrino, e, não um turista.


Ela.
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