sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Verdadeira Páscoa.




Cá estava eu a planejar as atividades de domingo para os meus queridos baixinhos, prometi explicar-lhes a origem da páscoa.
E comecei a recordar sobre a minha infância nessa época quaresmal.
Venho de uma simples família tradicional de um distrito pequeno e longínquo. Os hábitos fazem os nossos monges.

Uma de minhas avós é carmelita, uma espécie de freira que pode se casar. A outra, é baiana. E para quem conhece algum nordestino, sabe a força de suas crenças.
Não comemos carne as quartas e sextas e sempre costumávamos acompanhar a procissão do Senhor morto na Sexta-feira da paixão.

Sábado de Aleluia... Malhávamos Judas!
Os primos reuniam-se no sitio, meu avô separava algumas roupas velhas, palha de milho... E construíamos nosso Judas Escariotes. Amarrávamos uma corda em seu pescoço, e saíamos andando pelas terras. Ao entardecer, ele era queimado em uma grande fogueira.
As crianças da Vila faziam o seu traidor e saim pedindo doces... Nós nunca tivemos este costume, apenas queríamos destruir o boneco com nossas próprias mãos.
(Obs: Desde que lemos o Evangelho segundo Judas, uma matéria da Revista S.I. de uns anos atrás, paramos com esta tradição.)

Domingo de Pascoa... Ah, o tão esperado dia.
Acordávamos cedo para procurar os nossos ovos. Se bem que em um determinado ano, nem precisamos procurar... Um ovo de 5kg fazia-se bem visto a nossa frente!
Salva esta exceção, procurávamos nossos ovos normalmente. Geralmente encontrávamos algumas pegadas feitas de trigo, ou um caminho de balas.
Comer o chocolate? Não antes de ir a missa.
Nossas guloseimas eram devoradas após o almoço em família. E acreditem, fazíamos a maior bagunça!
Minha avó sempre nos contou que Cristo ressuscitou na Páscoa. Mas a Pascoa, não era comemorada pela ressurreição de Cristo.
Deixe-me explicar:

Páscoa é o nome de uma festa judaica que, em cada ano, celebra o acontecimento fundamental da história do Antigo Testamento: a Libertação do povo de Deus do Egito, onde os hebreus viviam como emigrantes reduzidos a escravidão, e a sua passagem para a Terra prometida. Para nós, o sangue de Jesus é o penhor da nossa libertação, como o sangue do cordeiro o tinha sido para os hebreus na sua saída do Egito.

E assim, findávamos nosso momento de reflexão quaresmal. Nossa fé se renovava, pois alguém... Maior que todos nós... Se deu por nós... Só por Amor.

É, eu já sei como explicar sobre a páscoa para os meus pequenos! ^^


Feliz Páscoa à Todos!

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